De: Vamos pá mesa (Ver receita )



Receita - Perscrutando bolos-rei e algumas divagações

Flor de Aveiro
Pastelaria Central
Confeitaria do Marquês
Confeitaria Nacional

Em meados de Novembro, começam as minhas “preocupações” com o bolo-rei. Mais especificamente, onde o comprar. Não é por faltar onde o comprar que me preocupo, é por a oferta ser cada vez mais pobre em termos de qualidade. Ou talvez o problema é os sítios onde se fazia bom bolo-rei terem deixado de o confeccionar ou simplesmente se “esquecerem” da receita e abandalharem a coisa. Ora, para mim é difícil largar esta tradição porque desde que me lembro de ser gente, havia sempre este doce no Natal. Um bolo-rei gigante, estilo roda de camião TIR, de massa perfumada e saborosa, que durava dias a fio sem ficar seco. E sabem onde o meu pai o comprava? Na pastelaria da Marisqueira Solmar, na Rua das Portas de S. Antão. Só que isso já faz parte de um passado muito distante. Foi com tristeza que soubemos, na altura, que já não o fabricavam e tivemos de arranjar substituto. Um deles, foi o bolo-rei da Confeitaria do Marquês. Se foi bom em tempos, há muitos anos que deixámos de o comprar lá. A qualidade caiu e muito. E este ano tive a oportunidade de voltar a experimentar e coitadinho! De aspecto muito pobrezinho, com aquelas pepitas de açúcar (sacrilégio!), o sabor deslavado e a tendência a ficar seco em pouco tempo. E a fruta não abunda. Vade Retro! Aprendam a fazer bolo-rei e mudem a aparência, que é horrível! Outro feio como tudo é o da Confeitaria Nacional. O ano passado estava seco e insípido. E, mesmo odiando a apresentação do bolo, que é do mais miserável que há, dei-lhe várias oportunidades…mas como a qualidade do bolo varia demasiado de ano para ano, ficou votado como bolo a evitar. E podem ter a fama que quiserem, que não é isso que me abre o apetite e dá vontade de voltar. Os outros dois bolos que aparecem neste post são o bolo que escolhi para este Natal, o da Flor de Aveiro. E também um bolo que me foi oferecido, da Pastelaria Central em Mem Martins. O primeiro, venceu o prémio de melhor bolo em 2013 e 2014. Daí o saltinho até Aveiro para experimentar. Provei uma fatia e aprovei mas só faço uma crítica final quando degustar o exemplar na véspera de Natal. O de Mem-Martins, não sendo um bolo-rei memorável, é bem catita, com boa quantidade de fruta. A massa tem um sabor agradável, não adicionaram sabores artificiais como licores esquisitos ou aromas de laranja ou mesmo a malfadada erva-doce, que não tem lugar num bolo-rei. Devo salientar que só o facto de ter aqueles torrões de açúcar a enfeitar que deixam o bolo super peganhento e húmido, é de louvar! As mariquices do icing sugar e aquelas pepitas horrorosas que agora usam no bolo-rei é de fugir! O icing sugar vai todo parar à roupa ou ao vizinho do lado com um simples suspiro e as pepitas não são apetitosas, a textura não presta e é feio! Perceberam, senhores “confeiteiros”? Já deu para perceber que o bolo da Flor de Aveiro, é mais denso, com uma massa menos amarelada, assim a atirar para o “acinzentado”, com fartura de fruta. O cheiro que deixa no ar é muito similar à massa de pão. Só que é mais perfumada por causa da fruta e , eventualmente, devido à presença de aguardente ou outra bebida alcoólica. Sim, porque bolo-rei tem de levar pinga na massa, seja ela aguardente e/ou vinho do porto. É essencial! Ah, e como nota final acerca de degustações de bolo-rei…Tanto a Eric Keyser como a Padaria Portuguesa fazem uns bolinhos-rei incaracterísticos. Massas fofinhas mas com pouca substância a nível de sabor e quantidade de fruta. São “sucedâneos” de bolo-rei, e eu não aprovo a qualidade. Este post serve o propósito de dar um pontapé de saída na época festiva aqui no blog e lançar o debate. Desafio os leitores a partilhar qual o vosso bolo-rei de eleição e que características deve ter. Não sejam tímidos! Até breve!