De: Cuecas na Cozinha (Ver receita )



Receita do - Quintana Bar

Cultura e Gastronomia tem tudo a ver! O chef Marcos Livi é mestre em juntar as duas coisas, foi assim com o Veríssimo Bar, dedicado ao grande escritor Luiz Fernando Veríssimo e agora é assim com o, surpreendente, Quintana Bar, dedicado ao poeta Mário Quintana.

O casarão de esquina, cheio de personalidade, tem fachada revestida de azulejo português, janelões de ferro e vidro, pé direito alto e um lounge prá la de interessante a céu aberto, com direito a horta urbana. Projeto certeiro e criativo do arquiteto Vitor Penha.

não você não bebeu, nem está com problema de visão, a montagem da foto é que não ficou do jeito que eu queria – mas valia à pena pra mostrar um pouco do espírito do lounge a céu aberto

Completando a obra, uma comunicação visual também perfeita assinada por Andrei e Caline Ivanoff da agência Off. Frases de Mario Quintana estão espalhadas pelos os ambientes; um enorme painel com um caça palavras toma todo o pé direito na entrada do bar e está presente também no papel de mesa e de embrulho.

A escada que leva ao mezzanino, teve os degraus transformados em lombadas de livros de Quintana. O logotipo do bar é um passarinho, o porquê?

“Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho

Eles passarão eu passarinho”

Poeminha do Contra de Mario Quintana

Mas a gente veio aqui pra comer e beber ou pra decorar? rs. Vamos lá!

“Cozinha do Sul

Os sabores da história do Sul, contada através da colonização onde, índios, espanhóis, portugueses, africanos, alemães, italianos, poloneses, açorianos e ucranianos formaram os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Nossa proposta é trazer uma experiência agradável e emotiva, para ser compartilhada à mesa! Nosso cardápio é fruto de pesquisa e respeito à tradição e origem destes imigrantes. Então, pedimos licença para apresentar a cozinha do Sul do Brasil”

 Ceviche de Tainha

Berbigão (acompanha chips de banana)

Com os dizeres acima começa o cardápio do Quintana Bar, achei a proposta bastante ousada, a cozinha dos três Estados do Sul do Brasil, representativa de tantos imigrantes. Resolvi descobrir se os pratos que viriam nas próximas páginas cumpriam com o proposto na primeira; confesso que me surpreendi a cada capítulo da leitura. Foi uma viagem bastante interessante pelo menu, os pratos e as curiosidades relatadas em cada linha. Sim, ler cardápios bem elaborados e escritos pode ser prazeroso!

Canapés de Carne de Onça e de Linguiça de Blumenau

De novo, a gente veio aqui pra comer e beber ou pra estudar cardápios? rs.

Ok. Vamos lá! Pra começo de conversa deixarei claro que o Quintana é bem mais um lugar pra comer do que pra beber.  Essa é sua pegada principal, um recanto da boa e confortável cozinha do Sul do Brasil. Existem bebidas, drinks, etc, mas são coadjuvantes, frente à comida boa e variada. Vale informar também que os preços não assustam o bolso.

Kracóvia e Copa Lombo

Confesso que comi!

Esse desfile de pratos que você vê no post, creiam foram todos provados por mim e estavam muito bons! Gostei da qualidade uniforme dos pratos preparados e gostei, especialmente, de saber que vários dos ingredientes que compõe o menu são “importados” diretamente do Sul, de pequenos produtores artesanais. Famílias de diversas nacionalidades, que assim mantêm vivas suas raízes e, principalmente, a origem da rica culinária do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Queijo Serrano , Parmesão da Cooperativa Santa Clara e Queijo da Colônia

Tentarei aqui dar um breve panorama do cardápio e essa viagem a cozinha do Sul:

Provei o Ceviche de Tainha e o Berbigão (vulgo vôngole) entre as opções de Peixes e Frutos do Mar do litoral de Santa Catarina. Então viajei à Curitiba pra provar os Canapés de Carne de Onça (mignon triturado super temperado – que mescla a cultura polonesa com a local). E para não perder um pouco da cultura alemã, provei os Canapés de Linguiça de Blumenau. Claro que também tive que experimentar o Kracóvia, salame produzido artesanalmente em Prudentópolis (PR) por descendentes de ucranianos; a Copa Lombo especial produzida por seu Erico Dambroz em Serra Grande, interior de Gramado; o Queijo Serrano feito com leite cru em Campos de Cima da Serra (RS) e o Queijo da Colônia feito em Carlos Barbosa (RS), orgulho dos imigrantres italianos.

os deliciosos Bigos (à esquerda) e Bolinhos de Linguiça de Blumenau e Aipim

Pestiquei o Bolinho de Linguiça de Blumenau e Aipim, a Coxinha Lapeana (da cidade de Lapa â PR) e os deliciosos e intensos Bigos – bolinhos que têm como base o cozido típico polonês de costelinha e calabresa defumada com funghi secchi e bacon.

Tainha Escalada na Brasa com verdes, Flor de sal e Bottarga e Coxinha Lapeana

Mergulhei fundo no Camarão com Abóbora, no Marreco com compota de Maçã e Repolho roxo e na Tainha Escalada na Brasa com verdes, Flor de sal e Bottarga.

Camarão com Abóbora (hummm!)

Marreco com compota de Maçã e Repolho roxo

Impossível não provar o Arroz de Carreteiro de Charque e depois o delicioso Espinhaço de Ovelha com Aipim desmanchando (literalmente). E como se tudo isso ainda não fosse o suficiente, ironia do destino, saboreei o imperdível Matambre & Chatasca – o tradicional “mata ambre” – mata fome em castelhano (entenderam aqui a ironia do destino? rs)  – acompanhado de paçoca feita de charque, farinha de mandioca e banana da terra.

Arroz de Carreteiro de Charque

Espinhaço de Ovelha com Aipim (daqueles cozidos apaixonantes)

Faltou tanta coisa ainda, preciso voltar, rs. Faltaram os Menarrosto – assados ao modo italiano – espeto girando longe do fogo, lentamente (Leitão, Codorna, Coelho e Galetto “al primo cantoâ€); o Churrasco na Vala [Vazio (Fraldinha), Tapa de Quadril (Picanha), Ancho (Contrafilé), Assado de Tira (Costela Bovina)], Barreado, Puchero, Salada de Batata, Tortei com Galetto âal primo canto”, Capeletti in Brodo, ihhh tanta coisa! Deu pra entender porque eu falei que o Quintana Bar chegou pra ser um cantinho da cozinha do Sul do Brasil, em São Paulo?

Matambre & Chatasca (imperdível)

De sobremesa eu comi um Arroz-Doce “Louco de Especial” (gauchês corrente). Parece um bolinho de chuva, feito com arroz doce e recheado de doce de leite, deu pra entender a gordice? Então, bom demais acompanhado com sorvete de Chimarrão, de Butiá, entre outros.

Arroz-Doce “Louco de Especial”

 Mas já não havia mais espaço então, eu que amo sobremesa, deixei para a próxima o Nega Maluca (bolo de chocolate com calda de bergamota); Cueca Virada (pecado esse Cueca não ter provado isso! Massa de sonho frita com açúcar e canela, servida com schimia (aqui em SP nós chamamos de geleia) de maçã e sorvete); Cuca com recheio de frutas da época (que eu amo de paixão); Caviar de Gringo (sequência de degustação com influência italiana, alemã e açoriana. Sagu de vinho branco e vinho tinto com creme de baunilha, ambrosia direto do tacho, doce de abóbora e papo de anjo), entre outros doces.

Sorvete de Chimarrão

O Quintana Bar também funciona como um empório, vários produtos típicos do Sul podem ser comprados para levar para casa,  como embutidos, queijos serranos, vários tipos de erva mate, vinhos, cachaças,  cervejas e ainda  pães e bolos típicos feitos na casa.

Em gauchês corrente, o Quintana foi uma surpresa tão boa que: “Bah tchê!”

Farrapos- infusão de vodka com erva-mate, mel branco e néctar de abacaxi servido na cuia – um drink da casa que merece ser provado

(fotos Jane Prado)